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SÃO PAULO, 11 de março de 2009 - Depois de três meses de negociação e de uma disputa com outros cinco interessados (inclusive operadoras de planos de saúde), o empresário Silvio Miglio adquiriu o Hospital e Maternidade Santa Marina. Localizado na zona Sul da capital paulista, o hospital fundado há 40 anos pelo médico Nilson de Almeida teve a negociação concluída na semana passada e envolveu o montante de R$ 95 milhões, incluindo dívidas assumidas (com fornecedores, salários e impostos) e um valor não divulgado pago ao fundador. "O montante não nos assusta", afirma o empresário. "Fui procurado para analisar a possibilidade de o hospital contratar um financiamento juntamente ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas acabei me interessando pelo negócio", conta sobre a maneira pela qual tomou conhecimento da possibilidade de fazer negócio com o Santa Marina.
Proprietário da BSM Consulting, empresa de assesssoria e consultoria empresarial - com 25 anos de atuação no mercado e contrato de serviço de cobrança com a Telefônica - e sócio da rede de lojas de roupa feminina Mercearia, Miglio diz que vai injetar R$ 20 milhões, de recursos próprios, nos primeiros 60 dias de administração do hospital. "Vamos liquidar os débitos e fazer o Santa Marina voltar a ser um hospital de ponta dentro da categoria dele (de média e alta complexidades)", diz Miglio sempre fazendo questão de ressaltar a admiração para com a história do fundador do hospital.
Desde que assumiu o empreendimento, Miglio já levou seis profissionais de seu time que se juntaram ao quadro de 830 trabalhadores do hospital.
O problema do Santa Marina é, na opinião do empresário, recente e não crônico e unicamente ligado a aspectos administrativos. Com uma área construída de 20 mil m e 250 leitos operacionais, UTIs e centros cirúrgicos. Além da estrutura física, está localizado em uma região de cerca de dois milhões de habitantes e com poucas opções de atendimento hospitalar. Dados do hospital dão conta de que o Santa Marina chegou a realizar entre 500 e 600 partos e 21 mil atendimentos "de porta" por mês. "O Santa Marina cresceu a tal ponto que tornou inviável a administração familiar", considera. Uma das inadequações encontradas, conta o empresário, foi a despesa operacional que chegou a representar 76% da despesa total do hospital. "Meu negócio é maximizar lucros. O hospital é altamente viável", afirma.
Os planos para o Santa Marina incluem a criação de novos segmentos de atuação: nefrologia de pacientes crônicos, terapia celular e oncologia clínica e cirúrgica. "Vamos partir também para a área de transplantes", afirma o diretor técnico do hospital, Angelo Badia Neto, de quem Miglio foi buscar apoio para a reestruturação. Os novos serviços vão ressuscitar antigos planos como retomar, ainda este ano, as obras de uma área inacabada do hospital. Até mesmo a compra de um helicóptero-ambulância está nos planos do hospital. O objetivo é torná-lo um dos três principais hospitais de São Paulo. "Não é uma aposta. O hospital tem condições de chegar lá", afirma o Leonardo Almeida, filho do fundador do hospital, que juntamente com a irmã Daniela continua trabalhando no Santa Marina.
Outro projeto está relacionado com o plano de saúde Santa Marina, que atualmente conta com uma carteira de 13 mil vidas associadas. O objetivo é chegar a 50 mil até o final deste ano.
Discrição
Miglio não gosta de aparecer. É assim, por exemplo, sua relação com a rede de lojas Mercearia, que sempre aparece ligada a Mario Yokota, fundador da marca e que tem Miglio como sócio. "Mas esse (o hospital Santa Marina) é um negócio que não tinha como não aparecer", afirma. Miglio diz ter passado por um rigoroso processo de seleção até conseguir concluir a negociação pelo Santa Marina. "Nossa preocupação era entregar o hospital para alguém em quem confiássemos que daria continuidade ao negócio", explica Daniela.
Enquanto as preocupações dos antigos acionistas começam a rarear, os desafios de Miglio estão apenas começando, afinal, mais do que recursos em dinheiro, o hospital ainda tem que reconquistar a confiança de seus clientes, desassistidos nos momentos de crise e também dos funcionários, há meses sem receber o salário. (Valéria Serpa Leite - Gazeta Mercantil)
(Materia extraída do site www.gazetamercantil.com.br)
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